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As Energias Solar e Eólica e a Independéncia Energética do Brasil


17/4/2009
Por Paulo Renato Torres Soares

Estaremos realizando, nos dias 27 e 28 de abril, no Clube de Engenharia, o Seminário: Soluções Para A Implantação Em Escala Comercial das Energias Solar e Eólica, uma promoção conjunta do INEA,CEPER/UERJ e CLUBE DE ENGENHARIA.

A independência de um país, tem na vertente da energia, parâmetro fundamental para ser realmente efetivada.

O Brasil, há pouco tempo, teve o fornecimento de gás natural da Bolívia, repentinamente suspenso.

As consequências se fizeram sentir de forma imediata, comprovando a dependência do país, da importação desta fonte de energia, não renovável, para o nosso desenvolvimento.

Esta situação, poderia não ter ocorrido ou pelo menos, bastante minimizada, se nossa matriz energética, fosse mais diversificada.

Matriz energética é por definição: o mosaico das diferentes formas de geração de energia produzidas por um país, objetivando sua autosustentação.

O Brasil, apesar de possuir, uma insolação anual intensa, e também uma costa com grande potencial de ventos, está muito longe de chegar aos dois dígitos, quando consideramos as energias renováveis solar e eólica. As duas juntas, não chegam a 2%, da matriz energética brasileira.

Como explicar este fato ?

Avaliamos, considerando os quatro "gargalos", para um tipo de energia ser incorporado de maneira representativa na matriz energética de um paás:

1-técnico: com relação a parte técnica, a engenharia e a ciência nacionais, são perfeitamente capazes de responder pelo incremento, cada vez maior, das energias solar e eólica no painel energético brasileiro.

2-econômico: os financiamentos e incentivos, para o real desenvolvimento destas energias, ainda são , na atualidade, muito pouco atraentes no Brasil, podendo ser citado o PROINFA, para a energia eólica, porém omisso em relação à solar.

3-político: é importante o incentivo da legislação brasileira, objetivando a necessidade do aumento do emprego destas energias renováveis. Podemos citar, entre outros, porém recente e aquém do necessário, as cidades solares, os municípios de São Paulo, Rio de Janeiro e Niterói , possuidores de projetos e leis relativas a energia solar. Destacamos , em escala federal, a lei de autoria do senador Renato Casagrande, para a implantação de 1 milhão da casas utilizando energia solar.

4-mídia: é fundamental a sua participação, visando a conscientização da viabilidade de inundarmos o Brasil com energia solar e eólica e, não, escamotearmos a verdade, como é feito há anos, pela mídia oficial, não permitindo a disseminação em nosso país, destas energias.

Neste primeiro encontro, comentando as energias solar e eólica, gostaria de salientar dois fatos mentirosos contrários à sua implantação:

1-as energias solar e eólica são caras: considero esta uma inverdade, transformada em fato, por quem não reflete e só repete informações.

Justifico: comprei em 1986, uma máquina de calcular, à energia solar, para quatro operações, sem ter tido mais nenhum gasto com ela, até hoje. Imaginemos se tivesse adquirido uma à pilha ou bateria, o quanto teria custado e principalmente, quanto resíduo teria sido gerado e de difícil descarte. Será que em função destes gastos, já não teria me desfeito dela ?

Análise técnica: o custo inicial foi mais caro, porém durante a vida útil, o equipamento tornou-se mais barato, em termos financeiros e ecológicos.

2-estas energias não tem escala de produção: isto é também inverdade, pois para uma forma de energia ganhar escala , é necessário a existência de incentivos e o apoio de uma política séria, para a sua disseminação.

Análise técnica: a citada lei de implantação de 1 milhão de casas, utilizando energia solar, demonstrará esta situação fictícia de falta de escala, pois se hoje tivermos 1 milhão de casas, amanhã poderemos ter: dois, três...trinta milhões, bastando para isso tornar-se política de governo.

Saliento três resultantes importantíssimas das energias solar e eólica sendo realmente desenvolvidas em nosso país:

1-grande geração de empregos, em todos os níveis, desde engenheiros, técnicos e demais operários.

2-trata-se de uma atividade com resultados ambientalmente corretos, com uma tecnologia de ponta e não "lixos industriais", impingidos pelas grandes potências, a países em desenvolvimento.

3-ao implantarmos sistemas solares e eólicos, não pagaremos mais as contas mensais de energia, cobradas pelas companhias de eletricidade, com aumentos cada vez mais frequentes e significativos.

Concluindo: é fundamental aumentarmos, a participaçÃo das energias solar e eólica na matriz energética nacional, para sermos de fato independentes e não um país à mercê da vontade e do arrogo de governantes de qualquer nação do planeta.

Gostaria de, ao terminar, salientar o apoio do Dr. Luis Firmino, Presidente do INEA, da Secretaria do Estado do Ambiente e do Governo do Estado, no sentido de disseminarmos as energias solar e eólica, no Estado do Rio de Janeiro.

Ficamos por aqui neste primeiro encontro.

Agradeço às opiniões, a serem enviadas pelo e-mail:paulorents@globo.com

* Engenheiro do INEA (Instituto Estadual do Ambiente), Engenheiro Químico - UFF - Pós Graduação: Engenheiro Ambiental e Sanitarista - UERJ

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